Entrevistar engenheiros sêniores quando há IA na sala

Juan Molina ·

As equipes de contratação estão divididas sobre IA em entrevistas técnicas. Dois relatórios de 2026 mostram quais sinais ainda distinguem um engenheiro sênior forte.

Um engenheiro sênior entra em uma entrevista de live coding, resolve o problema com clareza e explica muito pouco. Foi habilidade ou um assistente em uma segunda tela? As equipes de contratação enfrentam essa pergunta em quase todo processo técnico remoto, e não concordam na resposta.

As equipes estão divididas nas regras

O State of Tech Hiring 2026 da CoderPad, com mais de 650 desenvolvedores e recrutadores, não encontrou uma política comum. 34% disseram que a empresa proíbe IA em entrevistas, 29% permitem com restrições, 17% permitem amplamente e 20% decidem caso a caso (CoderPad, 12 de fevereiro de 2026).

Seja qual for a política, os candidatos usam. A Vettasy, fornecedora que vende monitoramento de entrevistas, analisou 14,260 sessões e detectou assistência de IA em 42.6% delas, chegando a 55% em funções de backend e 61% em funções de machine learning (Vettasy, 29 de setembro de 2026). A taxa medida subiu de 24.1% para 52.4% no período estudado, com taxa de falsos positivos informada de 3.0% (Vettasy, 29 de setembro de 2026). Leia esses números com cuidado: a fonte vende detecção, e a própria detecção melhorou no período, o que pode elevar as taxas medidas.

O que ainda sinaliza habilidade sênior

A parte mais útil dos dados da CoderPad é o que os respondentes disseram mostrar habilidade real quando a IA está disponível. 66% apontaram o candidato que identifica e corrige erros no que a IA produz, e 56% o que explica os trade-offs por trás de uma solução (CoderPad, 12 de fevereiro de 2026).

Isso combina com o que é uma função sênior. Ninguém contrata um staff engineer para digitar código mais rápido. Contrata para julgar se o código é correto, seguro e sustentável, e para explicar esse julgamento a uma equipe. Uma entrevista que só verifica se aparece uma resposta que funciona avalia a coisa errada.

A CoderPad também encontrou uma distância entre hábito e valor. 69% dos recrutadores usam análise de currículo, mas só 16% dizem que ela prevê desempenho, e perguntas de algoritmos ainda são usadas por 43% (CoderPad, 12 de fevereiro de 2026). Os formatos considerados mais eficazes foram a discussão técnica, escolhida por 56% dos desenvolvedores e 60% dos recrutadores, e o live coding, escolhido por 43% dos desenvolvedores e 60% dos recrutadores (CoderPad, 12 de fevereiro de 2026).

O risco real não é o assistente

Entre as preocupações com fraude, 52% dos respondentes da CoderPad citaram soluções geradas por agentes e 20% citaram fraude de identidade (CoderPad, 12 de fevereiro de 2026). A segunda é o problema mais sério numa contratação sênior. Um candidato que usa bem a IA pode ser alguém que trabalha bem. Uma pessoa que nem é o candidato é um risco de segurança.

Então a decisão é menos "proibir ou permitir" e mais "o que eu quero observar de fato?". Se você permite IA, desenhe o exercício para que o assistente faça parte do teste: entregue uma solução gerada com falhas e peça ao candidato que a revise, ou peça que defenda uma escolha de design diante de perguntas de acompanhamento. Se proíbe, diga isso com clareza e torne a sessão conversada o bastante para que um assistente escondido ajude pouco.

O que fazer esta semana

  • Escreva sua política atual de IA em entrevistas e compartilhe com os candidatos antes da primeira etapa técnica.
  • Troque um desafio de algoritmos do seu processo sênior pela revisão de código com falhas gerado por IA.
  • Inclua uma discussão de trade-offs em que o candidato precise defender um design diante de perguntas de acompanhamento.
  • Verifique como você confirma a identidade no início de cada etapa técnica remota.
  • Peça aos entrevistadores que avaliem julgamento e explicação separadamente de o código rodar ou não.